Preconceito no Quebec - Existe?

Pessoal, gostei muito das discussões (sadias e educadas) do último post, obrigado aos amigos que postaram, aconselho a todos lerem também os posts que são muito ricos.

Gostaria de abrir uma outra discussão sobre preconceito no Quebec. Contem suas experiências, não digo só de preconceito de raça, mas de todos os tipos.

Pela primeira vez vi alguém comentar que o maior "medo" de vir ao Quebec não era o frio ou a falta de emprego, mas o preconceito, pela cor. Respondi que só vi uma pessoa reclamando de preconceito de cor por aqui e foi um Haitiano que dizia não conseguir emprego por ter pele mais escura que os outros.

Mas fiquei pensando que muitos não arrumam emprego rápido não pela cor, mas por ser imigrante e não ter a primeira experiência canadense, o que pra mim às vezes é uma boa de uma desculpa esfarrapada.

Como podem ver na foto, sou branco, e depois do último inverno sou alvo mais que a neve, porém me senti discriminado pelos italianos do bairro que morava antes por ser brasileiro.

E você sentiu algum tipo de preconceito, seja por cor, raça, religião, escolha, nascimento, origem, etc?

Deixe seu comentário sobre o assunto, creio ser uma boa discussão para que saibamos lidar pela experiência que um ou outro tiveram.

No meu caso, o preconceito que tive foram por parte de italianos e creio que o motivo seria o futebol, pois eles realmente se acham os melhores do mundo e dizem que o fato do Brasil ter mais títulos ou foi roubo ou um acidente, mas que sem dúvida a Itália vai passar isso tranquilamente.

Me senti as vezes discriminado no trabalho também por ser brasileiro, tendo que ouvir piadinhas do tipo, brasileiro é desorganizado, enrolado e perguntas do tipo se há macacos andando pelas ruas das cidades brasileiras. Muitas vezes piadinhas sutis e outras vezes comentários levando pro lado de piadas.

Nos casos mais fortes como dos macacos, respondi com outra piada, sim há macacos por todo o lado e eles são mais inteligentes que os canadenses que pensam desta maneira.

E então, quais foram as suas experiências...

abraço

Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; Apocalipse 7:9

Comentários

SonhoComCanada disse…
essa dos macacos...pegaram muito pesado.
bom final de semana !

abraços;
Catherine
http://meetyoutherecanada.blogspot.com
Rossana disse…
Hello Hello!

Bem, sem querer ser preconceituosa, mas já sendo, o que eu OUVI falar foi que os quebecois são muito "puristas" e que muitas vezes tornam a vida dos imigrantes mais difícil. Não sei se é verdade... foi só um comentário que eu ouvi. No meu caso, não me lembro de nenhum preconceito que eu tenha sofrido. Claro que não tenho com avaliar a questão racial, pois sou branquela, loira do olho azul... nem a religiosa, pois nao tenho religiao... mas mesmo o fato de ser brasileira nunca me trouxe nenhum tipo de questoes desagradáveis. Meu chefe tira muita onda comigo em relaçao aos portugueses, pois ele sabe da famosa rixa que existe entre brasil e portugal, entao ele vive dizendo que sou apaixonada por christiano ronaldo kkkk mas so de brincadeira mesmo... nunca ngm me perguntou se havia macacos no brasil no meio das ruas... ainda bem, ne?
Gostei do post e acho importante essa discussão até porque ainda não cheguei aí, mas já estamos com nosso CSQ e nos preparando.
Acredito que essa reação de alguns canadenses com a presença dos Brasileiros aí não seja preconceito e sim medo do desconhecido. Somos carismáticos, acolhedores e isso é um diferencial que traz destaque e incomoda alguns. Li recentemente em um blog que um casal de enfermeiros sofreram com comentários do tipo: "o que esses Brasileiros estão fazendo aqui, não sabem nem a língua direito, deveriam voltar pro seu país. Temos que manter a cabeça erguida e lutar por nosso espaço, pois acho que temos competência suficiente pra isso e claro contar a graça do nosso Senhor que nos ilumina todos os dias.
Abraço e determinação a todos.
sabrina
Escrevi um comentário muito pertinente para este post; mas na hora de mandar deu pau e o perdi. Contudo, quero dizer que sua colocação é boa. Não vou escrever tudo que escrevi há pouco, porque me aborreci; mas saibam o porquê estou indo para o Canadá. http://kaczmarski-kaczmarski.blogspot.com/2009/07/tania-bulhoes-um-simbolo-de-um-pais-de.html
Se eu for questionado algum dia por um Quebequai nos termos que você falou. Responderei : Sim temos muitos macacas nas ruas, macacos velhos, primatas, privados, macacos que não dormem nunca.
Estou indo ainda porque quero ser um dia chamado de senhor quando entro numa loja. Aqui dizem “fala grandão o que você quer?” Quando minha esposa se aproxima o tratamento muda somente porque ela é europeia. Rimos a beça com isso; mas é chato que não suporto.
Quero um país onde o padrinho do meu filho não tenha medo de vir a minha casa. Onde eu seja convidado para a festa de seus filhos, e não somente minha esposa porque ela é europeia.
Quero um país onde me chame de Brasileiro, porque aqui eu sou cearense, devo está nas seguintes profissões: ajudante de pedreiro, manobrista de estacionamento, porteiro, gari, etc , mas nunca, nunca, a frente de uma empresa, mesmo tendo competência e qualificação para isso. Quero um país onde na faculdade meu filho sinta-se igual. Porque eu sou o único cearense estudando economia na PUC-SP ; mas a maioria dos alunos detestam-me por isso. Agora quando quem uma revisão de monografia eu sou o mais querido. País de espertos.
Quero um país onde eu possa gostar de Itzhak Perlman, sem que ninguém me diga que eu deveria gostar da banda Calcinha preta, de comer faria, gostar de calor, forró, samba, futebol , corrupção. Quero um país onde eu ou meu filho não preciso fazer isto http://www.youtube.com/watch?v=XdjOM897pDI para conseguir fundar a careiro profissional.
Sandro disse…
Em dois anos e meio nunca aconteceu nada parecido conosco aqui. Nem mesmo a pergunta dos macacos, o que pra mim não é preconceito mas burrice mesmo...

Tenho colegas de trabalho "pure laine", que conversam comigo com respeito por quem eu sou e de onde vim. E que fazem perguntas inteligentes como: "O governo Lula é realmente de esquerda ou é só discurso político?" e assim vai...

Já aconteceu de sentir uma certa barreira quando quanto aluguei o primeiro apartamento. Mas não chamaria de preconceito, pois o receito de fazer um contrato com um inquilino recém chegado de além-mar, claudicante no francês e sem histórico algum de crédito é até natural.

Sei que existem pessoas que passam por situações de preconceito por serem imigrantes (os arábes e haitianos sempre tem histórias assim) mas felizmente isso nunca aconteceu comigo, provavelmente porque estou cercado de imigrantes!

Sandro
Os patos migram em bando
Olá Wellington,
Cá estou eu novamente para dar o meu pitaco. Ontem eu rascunhei qq coisa e acabei deletando, mas hoje sinto-me especialmente inspirado a falar sobre esse assunto. Visitei um cliente que, segundo ele próprio, é "francês de nascimento, canadense por opção (imigrou a 25 anos da França para o Canadá) e brasileiro por adoção". Nos últimos 2 anos morou no Brasil, em Salvador. Bem, até chegarmos a esse ponto da conversa, nosso diálogo variou entre o francês e o inglês, até que ele, muito polidamente me questionou quanto à minha origem. "brasileiro", respondi. E ele, espantado, gaguejou: Brasileiro? cara, vc é o primeiro preto brasileiro que eu conheço aqui no Canadá! Bem, mas vamos aos fatos. Dois imigrantes, um europeu-canadense, educado em Londres e um preto brasileiro, educado na periferia de São Paulo. Inevitavelmente a conversa convergiu para as questões relacionadas ao preconceito. Quando no Brasil, já passei por algumas situações inusitadas, de preconceito perverso, tipo: carrão hein?! é pagodeiro ou jogador? esse negão é um mala... olha onde mora. (péssimo hábito de pessoas que nivelam por baixo). No Brasil, preto não pode morar num bairro de classe média alta que é “mala”?; não pode ter um carro um pouco melhor, sem que não seja associado a pagodeiro ou jogador? Infeslimente, no Brasil que eu conheço não. Esteriótipos que me enojam. Cansei de chegar a alguma festa ou evento profissional e, após "descobrirem" as credenciais de merda do crioulo, uau... arrumarem mesa, ficarem com aquela bajulação hipócrita. Estou a 1 ano aqui no Canadá e diariamente visito clientes canadenses (nativos ou não) e por isso, me permito algumas conclusões: prefiro 1 milhão de vezes o preconceito quebecois. Explico: aqui, tenho notado que o cara que não gosta do preto, é o mesmo que não gosta do francês de olhos azuis, depois de engatar uma conversa com este e perceber que seu acento é de francês e não de quebeca. Ou seja, o indivíduo preconceituoso, não gosta é de imigrante, independentemente da cor da pele. Eu prefiro sofrer esse tipo de preconceito, do que o preconceito existente no Brasil, que na minha maneira de ver, é um preconceito social, racial e econômico. Lá, se tem status, se tem pedigree, esse mesmo grupinho esquece que você é preto e passam a te tratar com uma atenção patriarcal. Puro jogo de interesses, porque você percebe que os teus pares (a negraiada) continua não sendo aceita por esse grupo, mas você tem o tabarnuche do pedigree não é mesmo?! E aqui no Quebec? Bem, constantemente me questionam a minha origem, porque, segundo alegam, meu acento me entrega que não sou de país francofono (ou seja, tú é negão, mas fala com um acento diferente... então não vem do Haiti e nem da Africa. Vem de onde, afinal?). Ok... sou brasileiro! "BRASILEIIIIIIRO??? Cool!!!” Esta tem sido a reação de 10 em cada 10 pessoas quando digo que venho do Brasil. Curiosamente, as situações de preconceito aqui partem de imigrantes. Canso de ouvir comentários racistas contra colombianos, haitianos, árabes, indianos... e adivinhem de que grupo partem estes comentários? Ok, eu falo... é do zé povinho de um país sulamericano, cujo nome começa com B e termina com L... hahaha. Definitivamente, o brasileiro é povo mais preconceituoso que eu já vi.
Sandro.
drinhoenessa.blogspot.com
Sandro e Vanessa, suas colocações são realmente pertinentes!Vejo isso acontecer todos os dias e em qulquer lugar em São Paulo.A coisa é tão séria que sou tratado diferentes quando uso ou não o "RELÒGIO". Me presenteie com um FESTINA quando fui para Alemanha em janeiro. Se o uso, sou aceito e as pessoas se aproximam curiosas; quando não o uso, elas de destanciam. Resultado deste tipo de preconceito vocês verão sutilmente nesta emtrevista que dei para o público da República Tcheca http://www.myelen.com/myelen/Pages/Static/Countries/Brazil.jsf;jsessionid=97951ED72FA61FABD0DF03CD7C877C3F vocês verão que abordo a questão de um pobre usar um celular de ultima geração quando falta-lhe comida na mesa de seus filhos. Não é porque eles precisam dessa tecnologia ou porque usam-na de fato; é que tendo um celular blackberry o sujeito se sente incluido na roda, ou se sente diferente, podendo até, sentir-se superior mediante os seus pares. Atendente de telemarketing e o caso mais comum. (antes era a empregada domestica, este profissional tem mudado no mercado para melhor) contudo o operador de call center costuma usar seu primeiro salário para comprar "O celular"! Para quê? Muitas vezes não se tem nem dinheiro para o crédito do aparelho, servindo-o somente para jogos e ouvir músicas. Mas ele precisa, porque se não ficará por baixo. Alguém me dizia da indifereça do povo de montreal. Acho isso excelente, porque cada um cuida de sua vida, sem ter que prestar uma conta social relacionada a preconceito.
Bea disse…
Concordo plenamente com o que o Sandro&Nessa disse, pois meu marido também é negro e ele também sofreu muito preconceito no Brasil, inclusive passou por situações muito chatas e recebeu "piadinhas sem graça" dos próprios "amigos", brancos e filhinhos de papai.
Aqui no Québec ele sempre foi muito bem tratado, todos já perguntam "você é brasileiro certo?" e é muito bem tratado.
Ninguém nunca perguntou se no Brasil tem macaco andando na rua ou se temos índios, etc etc. Mas as perguntas são sempre com relação à política e à economia.
Qdo Dilma tomou posse, muitos perguntaram o que achavávamos, etc.
Comigo é engraçado pq como sou branca e com família vinda da Europa, ninguém acredita que eu seja brasileira. Mas no decorrer da conversa terminam por ver que é só a cara mesmo e começam a perguntar outras coisas do Brasil, como o clima, etc.
Mas nunca aconteceu de sofrer preconceito, nem um olhar diferente, nem nada. O que no Brasil era muito comum, pois saíamos de mãos dadas nas ruas (dentro dos shoppings, etc) e todos, eu digo todos mesmo, ficavam olhando pra nós como se fosse a coisa mais anormal do mundo. Aqui nos sentimos bem acolhidos, livres e super respeitados.
Abs.
Dando continuidade ao polêmico assunto, recomendo a leitura do artigo escrito pela Gisele em seu blog: http://gieroequebec.blogspot.com/2010/11/o-que-nos-faz-ser-tao-diferentes.html
O blog de voces me chamou a atenção pelo titulo do post, ontem mesmo estava comentando com o meu marido sobre o meu maior medo de imigrar: o preconceito.
Já morei fora do pais e sofri sim o tipo de comentario do macaco, perguntas como: "há energia elétrica lá?!", entre outras coisas muito sem pé nem cabeça, e só sentindo na pele para saber como é ruim.
Como ainda estamos bem no comecinho do processo, fico aliviada ao ler que os preconceitos vividos pelo pessoal foram bem menos recorrentes que aqui no Brasil e não são o de rejeição da população nativa.
Penido disse…
Pessoal. Estou com a minha familia a 3 anos no Canada. Mais especificamente na cidade de Québec.O preconceito existe sim e é forte. Tenho visto muitos brasileiros e outras nacionalidades no subemprego mesmo tendo boa qualificacao profissional. Quando mandamos nosso curriculo para alguma vaga,eles veem pelo nosso nome que nao somos daqui e nao nos chamam para uma entrevista. A cidade de Québec é provinciana. Eles nos tratam muito bém, mas nao nos dao emprego. Somente os brasileiros da area de informatica e os que passaram em concurso publico tem conseguido um lugar ao sol aqui. Os demais, em sua maioria, trabalham como ajudantes de cozinha ou fazendo faxina em escritorios.
Andre Andrada disse…
Perdi a vontade de ir ao Quebec, Sou administrador de empresas e analista de sistemas. Não tenho pele clara e estou de saco cheio do Brasil, com tanta maracutaia, roubalheira e falta de dignidade que as pessoas vivem... mas o preconceito já me faz repensar.

Postagens mais visitadas deste blog

Imigração - Propaganda

Desafio da Coruja Vermelha

Estudando Medicina no Canadá